Riscos psicossociais e a NR-1: síndico, você está preparado para mais esse desafio?

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Nos últimos anos, tem-se falado muito em saúde mental em todos os lugares e, é lógico, nos condomínios também.

E, seguindo essa tendência, o Ministério do Trabalho incluiu na NR-1, que entrará em vigor a partir de 26/05/26, a obrigatoriedade de gerenciar os riscos psicossociais dos funcionários regidos pela CLT.

A parte técnica e burocrática é de suma importância. Mas meu foco aqui é fazer uma reflexão prática sobre o que, na minha opinião, é o grande desafio do síndico: conscientizar alguns condôminos de que eles têm que mudar a forma de tratar os funcionários orgânicos e terceirizados do condomínio.
Mas o que os condôminos têm a ver com isso?

Riscos psicossociais no trabalho são fatores que ocorrem no ambiente de trabalho e que, consequentemente, levam as pessoas a sofrerem de estresse, burnout e depressão.

Segundo especialistas, o objetivo da mudança da NR-1, ao colocar esse tipo de gerenciamento no trabalho, é proporcionar um ambiente mais saudável para os funcionários.

O bom síndico gerencia e passa as diretrizes necessárias para seus líderes, gerentes e supervisores das terceirizadas, buscando proporcionar um ambiente o mais saudável possível, independentemente de norma e lei.

E, caso ele constate assédio, desrespeito, cobrança exacerbada e outros fatores que tornem o ambiente tóxico, ele vai tomar as devidas providências, pois ele tem a “caneta na mão”.

Mas aí vem a parte mais difícil: como administrar as dezenas, centenas e até milhares de condôminos que são coproprietários e/ou usuários das áreas comuns que, coincidentemente, são o ambiente de trabalho dos funcionários do condomínio?

Sei que você, que é síndico, tem muito trabalho para administrar os condôminos e/ou moradores que desrespeitam os funcionários.

Essas pessoas gritam, xingam, humilham e agridem moral e fisicamente os funcionários do condomínio, tão somente por não terem suas vontades atendidas ou porque foram praticadas condutas contrárias aos seus interesses.

Consequentemente, esses funcionários, que dependem de seu salário para sustentar a família e não podem abrir mão facilmente do trabalho, reagem a esse cenário de algumas formas: suportam a situação até que o esgotamento chegue e sucumbam às doenças; passam a estar no ambiente de trabalho somente com o corpo físico, sem atenção e dedicação (presenteísmo); faltam muito e apresentam atestados para evitar estar naquele ambiente (absentismo).
Não preciso nem dizer que qualquer dessas reações prejudica o bom andamento dos serviços e do ambiente condominial, o que, por fim, é sempre culpa de quem? Do síndico!

Por isso, minha sugestão é: conscientize o seu condômino! Leve profissionais para falar a respeito nas assembleias, envie comunicados, crie uma corrente de comunicação do bem.

Quem sabe, quando os condôminos que agem dessa forma souberem que, além dos riscos trabalhistas já existentes, é possível a aplicação de multas de alto valor pelo não cumprimento do controle de riscos que levam ao adoecimento psiquiátrico e psicológico, cujo montante será rateado por todos, eles passem a agir de forma mais consciente e respeitosa.

Autor

  • Colunista Lidiane Genske

    Sócia-proprietária do Genske Advogados. Atua na área condominial e imobiliária há 27 anos. Pós-graduada em Direito Civil e Processual Civil pela EPD e cursando MBA em Liderança e Gestão de Pessoas na PUC-RS.