Modernização de elevadores: quando a obra valoriza o condomínio e melhora a vida dos moradores

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Assim como outras estruturas do condomínio, os elevadores também envelhecem e precisam acompanhar a evolução tecnológica e os anseios dos moradores. A modernização pode ocorrer em duas frentes: a técnica, que aprimora o desempenho, a segurança e a confiabilidade do sistema, e a estética, voltada ao embelezamento das cabinas e à renovação dos acabamentos. Quando minuciosamente planejadas e bem contratadas, ambas as intervenções agregam valor ao empreendimento e prolongam a vida útil dos elevadores. Com base nessa percepção, o condomínio Solar Oliveira do Conde, em Santo Amaro, zona sul de São Paulo, optou por uma modernização completa, concluída recentemente.   

André Mendes, contador e administrador, é síndico do residencial entregue há 40 anos e relata que essa foi a primeira atualização dos elevadores. “Sou bastante criterioso com a questão financeira. Inicialmente, pensei em realizar apenas a modernização técnica e deixar a parte estética para um segundo momento. Porém, durante a assembleia, ficou evidente que a maioria dos moradores desejava incluir também o embelezamento. Conseguimos atender a essa expectativa porque a empresa parcelou o pagamento em aproximadamente 40 meses, o que permitiu diluir o custo no fluxo de recebíveis do condomínio”, detalha.   

O síndico conta que um laudo técnico elaborado por empresa especializada, em 2024, detectou a necessidade de corrigir falhas e desgastes do sistema. Essa análise foi o ponto de partida para as modificações. “Primeiro, substituímos a empresa de manutenção dos elevadores por outra, pois estávamos insatisfeitos com o preço e o atendimento. Depois, começamos a avaliar propostas para a modernização, que ficou a cargo dessa empresa, pois, na concorrência, apresentou o melhor custo-benefício”, conta André. Entre os problemas que incomodavam os moradores estavam as paradas em desnível e o comprometimento da estética, sobretudo no elevador de serviço, bastante desgastado pelo transporte de mudanças.   

A modernização dos elevadores não registrou intercorrências significativas, em parte porque o síndico cuidou para que o calendário de execução dos trabalhos não coincidisse com o da reforma de dois apartamentos. “Ajustamos o cronograma antes de iniciar a obra em cada um dos equipamentos, além de organizarmos uma escala para o uso consciente do elevador enquanto apenas um deles estivesse em operação”, esclarece André.   

Prédios em evolução   

Lúcio Feitosa é síndico profissional há 18 anos, período em que já acompanhou diversos trabalhos em elevadores. Há poucos meses, ele assumiu a gestão do condomínio Araruama, construção do início da década de 1980 localizada em Santa Cecília, região central de São Paulo. Assim que o gestor chegou ao condomínio, oficializou uma operação que estava em andamento: o distrato com a antiga empresa de conservação e manutenção dos elevadores e a contratação da empresa substituta, previamente escolhida pelo conselho.   

Dois dos elevadores do residencial Araruama

Condição atual de dois dos elevadores do residencial Araruama, na Santa Cecília; a obra, em andamento, contempla a modernização dos três equipamentos do condomínio.

A empresa anterior havia sido incumbida de modernizar os três elevadores do condomínio, de 64 unidades e 16 andares, mas tinha executado o serviço em apenas um deles. À empresa que assumiu em seu lugar coube, inclusive, refazer esse trabalho. Segundo esta, muitos problemas foram detectados, entre eles: componentes antigos não removidos do sistema após a instalação dos novos, podendo vir a causar complicações futuras, como ruídos ou paralisação do equipamento; o quadro de comando foi instalado sobre a mesma base do anterior, reaproveitando parte da fiação; e o obsoleto trinco (dispositivo que trava a porta do pavimento quando o elevador não se encontra no andar) não havia sido trocado no processo de modernização por uma versão mais moderna e segura.   

O síndico Lúcio observa que os elevadores do Araruama são muito antigos. “Creio que utilizem um dos primeiros mecanismos de elevação com relés. Trabalhar com esse tipo de sistema exige profissionais extremamente habilidosos e experientes. São poucos os que dominam essa tecnologia e, por isso, o condomínio optou por substituir todo o sistema”, relata Lúcio. A modernização inclui desde o quadro de comando (o cérebro do elevador) até a troca do piso das cabinas, passando pela substituição dos interfones por botões de comunicação com a portaria. A previsão é de que a obra, orçada em cerca de meio milhão de reais, seja concluída em dois anos.   

Já no Condomínio Oswaldo Aranha, em Higienópolis, também na região central, Lúcio se deparou com uma necessidade diferente. A edificação, com 60 anos, dispõe de vagas fixas, algumas descobertas e outras no pavimento inferior, que não é atendido pelo elevador, já que ele para no térreo. O restante do trajeto é feito por escada. “Durante anos funcionou bem assim, mas as pessoas foram envelhecendo, adoecendo, e a situação se complicou. Há duas moradoras que, hoje, se locomovem em cadeira de rodas e precisam acessar a garagem do subsolo para irem ao hospital. Até propusemos algumas trocas temporárias de vagas entre vizinhos. A estratégia funcionou algumas vezes, mas não foi adiante”, contextualiza o gestor.   

Instalação de plataforma (no detalhe) em condomínio de Higienópolis para vencer o desnível entre a garagem e o pavimento com elevador. O acesso por escada já não atendia a pessoas idosas ou em cadeira de rodas.

Lúcio contratou especialistas para verificar se era possível realizar uma obra que permitisse ao elevador chegar ao subsolo, mas constatou-se uma limitação estrutural. A solução foi implantar uma plataforma elevatória em um antigo quartinho, que cedeu espaço ao equipamento, criando uma alternativa à escada. A empresa responsável projetou o modelo, fabricou o equipamento e realizou a instalação. Entre infraestrutura e plataforma, foi investido cerca de 52 mil reais. A manutenção mensal ficou a cargo da conservadora que já atende o edifício. “Os moradores ficaram extremamente satisfeitos. Trata-se de promover acessibilidade. Ficou melhor para quem tem mobilidade reduzida, para quem chega com sacolas pesadas, para todos. Acho até que carimbei a minha permanência por mais mandatos”, brinca o síndico.   

Quando modernizar   

Alguns sinais indicam que o elevador precisa de modernização:   

  • Trancos, paradas bruscas ou desnivelamento da cabina; 
  • Ruídos durante o funcionamento; 
  • Aumento das manutenções e dos custos de reparo; 
  • Falhas em botões, displays, alarmes e interfones; 
  • Dificuldade para encontrar peças ou tecnologia ultrapassada; 
  • Necessidade de melhorar segurança, conforto e eficiência energética.   

Antes da obra: é preciso fazer uma avaliação técnica e comparar propostas com o mesmo escopo, considerando não só o preço, mas também a experiência da empresa. 


Agradecimento aos entrevistados
André Mendes e Lúcio Feitosa, respectivamente síndico orgânico e síndico profissional


Rogerio Meneguello, diretor, Primac Elevadores

“Mesmo que um elevador pareça em bom estado, o ideal é modernizá-lo após 15 ou 20 anos de uso. Depois disso, a tecnologia torna-se obsoleta, dificultando a busca por peças de reposição e mão de obra qualificada. Uma empresa parceira especializada ajudará a reverter essa situação.”    

“Uma boa empresa você reconhece nas primeiras manutenções e assistência técnica, tanto no serviço prestado quanto em parceria e agilidade. Quem trabalha bem não precisa prender o cliente a um contrato com cláusulas que dificultam o cancelamento. Fique atento a esse detalhe.” (Rogerio Meneguello, diretor, Primac Elevadores)  

Leandro Ferreira, diretor comercial, Grupo OrionLift Elevadores

“Temos em São Paulo muitos condomínios acima de 20 anos, que precisam modernizar seus elevadores para adequá-los às novas normas de segurança, o que resolve ainda a questão da obsolescência de componentes elétricos, eletrônicos ou mecânicos. O síndico deve apresentar essa realidade aos condôminos.”   

“O Brasil tem fornecedores nacionais com o mesmo nível de expertise em qualidade e segurança dos existentes no mercado internacional. Isso não deve ser uma preocupação. O que realmente deve ser considerado em troca de contrato é a idoneidade, a responsabilidade e a qualificação da conservadora.” (Leandro Ferreira, diretor comercial, Grupo OrionLift Elevadores)


Matéria publicada na Edição 325 – agosto/2026 da Revista Direcional Condomínios

Autor

  • Jornalista Isabel Ribeiro

    Jornalista apaixonada desde sempre por revistas, por gente, pelas boas histórias, e, nos últimos anos, seduzida pelo instigante universo condominial.