Elevadores são considerados meios de transporte seguros, mas são constituídos por sistemas complexos, necessitando de inspeções periódicas para que continuem operando em perfeitas condições, preservando a integridade dos passageiros. Marcelo Braga, presidente da ABEEL (Associação Brasileira das Empresas de Elevadores), destaca que os critérios do plano de manutenção anual devem ser seguidos e atualizados, garantindo a conformidade com as normas de segurança mais modernas. Por outro lado, a falta de manutenção adequada pode levar a graves acidentes.
Condomínios precisam contar com uma empresa realmente qualificada para atendê-los por meio de contratos com ou sem peças. O engenheiro mecânico especializado em elevadores comenta, a seguir, quando é interessante escolher um ou outro modelo e responde a mais questões sobre manutenções.
O que são manutenção preventiva, preditiva e corretiva e qual o papel de cada uma na gestão dos elevadores?
Marcelo Braga — A manutenção preventiva é realizada de forma programada, com inspeções, ajustes, limpeza e verificação dos componentes antes que apresentem falhas. A preditiva utiliza o acompanhamento do comportamento e do desgaste dos componentes para antecipar problemas. Já a corretiva ocorre quando há uma falha e é necessário reparar ou substituir algum componente. Uma boa gestão deve priorizar principalmente a prevenção e a antecipação dos problemas.
A manutenção preventiva e a preditiva reduzem as corretivas? Mesmo se houver quedas e oscilações de energia elétrica?
Marcelo — Sim. Uma manutenção preventiva e preditiva eficiente reduz significativamente as falhas e os chamados corretivos. Porém, existem fatores externos, como quedas e oscilações de energia, que podem causar danos a componentes eletrônicos. Por isso, além da manutenção, é importante avaliar também as condições da instalação elétrica e as proteções do edifício.
Quais sinais devem servir de alerta para o condomínio sobre a necessidade de uma intervenção técnica nos equipamentos?
Marcelo — Ruídos diferentes, desnivelamento da cabine, portas batendo ou demorando para abrir e fechar, aumento de chamados, trancos e falhas repetitivas devem ser investigados. Pequenos sintomas podem indicar desgaste de componentes importantes. O erro é esperar o elevador parar completamente para tomar uma providência.
O que o condomínio precisa considerar na contratação de uma conservadora?
Marcelo — O síndico não deve escolher uma conservadora apenas pelo preço. É importante verificar estrutura técnica, experiência, capacidade de atendimento, referências, peças utilizadas e registro da empresa nos órgãos competentes. Também é fundamental existir um engenheiro mecânico responsável técnico, devidamente registrado no CREA (Conselho Regional de Engenharia e Agronomia) e efetivamente vinculado às atividades técnicas da empresa, assumindo a responsabilidade pelos serviços executados.
Há ‘pegadinhas’ contratuais? Comente.
Marcelo Braga — Existem contratos que parecem muito baratos inicialmente, mas possuem diversas exclusões ou limitações. O síndico precisa observar principalmente o que está ou não incluído, quais peças são cobertas, condições para substituição, reajustes, prazos de atendimento e condições de cancelamento. O importante é comparar propostas pelo escopo, e não somente pelo valor mensal.
É preferível a opção pelo contrato com ou sem peças? Para prédio novo, contrato sem peças procede?
Marcelo Braga — As duas modalidades podem funcionar, desde que o condomínio saiba exatamente o que está contratando. Em se tratando de equipamentos novos, um contrato sem peças pode ser economicamente interessante em determinadas situações, principalmente enquanto componentes importantes ainda possuem garantia. Mas isso deve ser analisado tecnicamente. Não existe uma solução única para todos os condomínios.
O que o síndico precisa saber ao firmar um contrato com a empresa de conservação e manutenção de elevadores?
Marcelo Braga — A transparência precisa começar antes da assinatura. A empresa deve explicar claramente o que o contrato cobre e, principalmente, o que ele não cobre. Contrato com fornecimento de peças não significa necessariamente cobertura de qualquer componente ou de qualquer situação. Quanto mais claro isso estiver no início da relação, menor será o risco de conflito posteriormente.
Na cidade de São Paulo, as prestadoras são obrigadas a relatar o estado de conservação dos elevadores com a emissão do RIA. Qual a importância desse documento?
Marcelo — O RIA não deve ser tratado apenas como uma obrigação documental. Ele é uma importante ferramenta de gestão e segurança. O síndico deve conhecer as irregularidades apontadas, cobrar os prazos e as providências necessários e acompanhar a correção das não conformidades. Um RIA bem executado ajuda inclusive no planejamento dos investimentos do condomínio.
Hoje temos uma grande quantidade de prédios paulistanos com 50–60 anos. A idade do equipamento é sentença decisiva de modernização?
Marcelo — A idade, sozinha, não condena um elevador. O problema ocorre quando começam a aparecer obsolescência tecnológica, dificuldade de reposição de peças, aumento dos chamados, custos elevados de manutenção e defasagem em relação aos atuais requisitos de segurança. Nesse momento, continuar apenas reparando pode deixar de ser economicamente e tecnicamente adequado. A modernização deve ser planejada antes que o equipamento chegue a uma situação crítica. E sempre precisamos considerar a fadiga dos materiais, porque o uso é mais importante até que a idade do equipamento.
Existe ciclo de vida útil do elevador? Em algum momento é preciso trocar totalmente o sistema?
Marcelo — Sim, mas não existe uma idade única em que todo elevador precise ser integralmente substituído. O equipamento é formado por vários sistemas com ciclos de vida diferentes. Em muitos casos, é possível modernizar comando, máquina, portas e dispositivos de segurança, preservando estruturas que ainda estejam em boas condições. A decisão deve resultar de uma avaliação técnica considerando segurança, obsolescência, disponibilidade de peças, desempenho e custo-benefício. E considerar também a fadiga dos componentes como um balizador importante.

Agradecimento ao entrevistado
Marcelo Braga, presidente da Associação Brasileira das Empresas de Elevadores (ABEEL) e do Sindicato das Empresas de Elevadores do Estado de São Paulo (SECIESP)

“Para contratar uma empresa de manutenção de elevadores, avalie sua infraestrutura. Ela deve ter oficina de reparos, laboratório eletrônico, suprimentos, gestão operacional e frota atualizada. Verifique também o tempo de atendimento a emergências: o ideal é de até 30 minutos para passageiros presos.” (Leandro Ferreira, diretor comercial, Grupo OrionLift Elevadores)

“Falhas recorrentes nem sempre significam que o elevador precisa ser substituído. Uma avaliação técnica criteriosa pode identificar componentes obsoletos e indicar modernização pontual, aumentando a confiabilidade e prolongando a vida útil do equipamento.” (Renato Cappobianco, engenheiro eletricista, Viks Elevadores)
Matéria publicada na Edição 326 – setembro/2026 da Revista Direcional Condomínios
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