Tecnologia e prevenção: como condomínios podem se antecipar aos riscos de segurança

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Síndico profissional em São Paulo, Rodrigo Rosada administra um condomínio de alto padrão na zona oeste da cidade que é exemplo de investimento contínuo em segurança. A preocupação com a criminalidade urbana, aliás, é anterior à entrega do empreendimento há pouco mais de 20 anos. “Antes mesmo de ficar pronto, um grupo de proprietários procurou a construtora para solicitar que não fosse entregue com uma guarita simples, como estava previsto, mas sim com guarita blindada”, ilustra Rodrigo, na gestão desde 2021.   

Outra iniciativa que faz parte da história do residencial é recorrer, de tempos em tempos, a consultorias para identificar vulnerabilidades e reduzir riscos. “O condomínio já contratou esse serviço três vezes. Em todas elas, o processo foi conduzido por experientes consultores em segurança condominial”, destaca. Ele cita que contratar uma consultoria especializada é recomendável mesmo para síndicos que já conheçam estratégias de segurança. “Uma coisa é o síndico levar essa visão aos moradores. Outra coisa é uma visão, ainda que equivalente, ser apresentada por um especialista. Soa diferente quando você traz alguém de fora e aumenta a chance de aprovação em investimentos, que é o que realmente importa.”   

Cercado de paisagismo, o empreendimento está localizado em uma esquina e requer, segundo o síndico, um bom sistema de câmeras para cobrir todo o perímetro, especialmente o muro lateral, que se estende por 100 metros. “O condomínio possui uma quantidade expressiva de câmeras de monitoramento interno e externo. Tem câmeras speed dome, aquelas que giram 360 graus, e outras com inteligência artificial…”, descreve. Os servidores ficam armazenados em um local blindado. Engenheiro elétrico de formação, Rodrigo contribuiu, ele próprio, para transformar uma sala ociosa em um CPD (Centro de Processamento de Dados) moderno, climatizado e seguro.   

Na área externa, há ainda totens de segurança colaborativa integrados a programas oficiais de segurança pública. Do lado de fora da portaria, um dispositivo inteligente conectado a bancos de imagens de pessoas foragidas da Justiça contribui para a segurança. “Esse condomínio é bem alinhado com inovações tecnológicas, mas noto também grande cuidado com treinamento contínuo contra invasões. Tentaram aplicar o golpe do falso entregador, sem êxito”, exemplifica. Rodrigo conclui que tecnologia e preparo das equipes devem caminhar juntos para que os investimentos em segurança sejam, de fato, eficazes.   

Para Josué Paes, que atua há 26 anos na área de segurança na capital paulista, é indiscutível a relevância da tecnologia na adoção de medidas preventivas contra ações criminosas. Consultor em segurança condominial, ele destaca a efetividade da integração entre as câmeras privadas dos condomínios e os programas de segurança pública Muralha Paulista e Smart Sampa. “O cruzamento de dados ocorre em segundos, alertando viaturas da Polícia Militar e da Guarda Civil Metropolitana da região. Qual o temor do bandido? Ser pego. Então, na medida em que ele fica sabendo que o condomínio tem uma segurança integrada à segurança pública, ele não se arrisca porque a probabilidade de ser pego antes de cometer o crime é muito grande.”   

O especialista destaca que, para serem conectadas ao sistema público, as câmeras precisam estar instaladas e orientadas exclusivamente para a via pública, assegurando que a captação de dados respeite a privacidade nas áreas privadas e atenda integralmente às diretrizes legais e de proteção de dados. Outra observação diz respeito à resolução dos equipamentos. “Câmeras precisam de boa resolução para captar com nitidez o rosto de uma pessoa ou a placa de um veículo, o que faz toda a diferença porque aumenta o nível de assertividade no cruzamento das informações com o banco de dados de pessoas procuradas e veículos com registro de furto ou roubo”, diz Josué.   

Além do suporte tecnológico, o consultor orienta os condomínios a adotar um olhar preditivo sobre a segurança. Segundo ele, elaborar um manual de boas práticas, com orientações e procedimentos para colaboradores e moradores, contribui para prevenir invasões, furtos e roubos em apartamentos, “considerados hoje como crimes de oportunidade, sem uso de arma de fogo”, avalia. Na opinião de Josué, a combinação de equipes treinadas com novos conteúdos, tecnologias que fornecem informações em tempo real e moradores conscientes da importância de seguir as regras de segurança tem mantido os condomínios um passo à frente dos criminosos e, portanto, mais seguros.     


Agradecimento aos entrevistados

Rodrigo Rosada e Josué Paes


Gledstom Pereira de Oliveira

“Mais do que controlar acessos, a segurança eletrônica precisa prevenir riscos. A sinalização inteligente é parte dessa evolução: orienta, organiza e protege. É assim que construímos ambientes mais seguros e fortalecemos um setor essencial para a sociedade.” (Gledstom Pereira de Oliveira, diretor, GP Control Sinalizações)  


“Torre de vigilância colaborativa amplia a proteção do condomínio e das imediações, auxiliando o poder público e inibindo ações criminosas. A união entre tecnologia, monitoramento e moradores contribui para prevenir riscos e proporcionar mais tranquilidade.” (Albert Dourado Lima, diretor comercial, Pinots Segurança Eletrônica)


Rodrigo Barreto Castagna

“Síndico, segurança começa com prevenção: mantenha portões, câmeras e sistemas de acesso sempre revisados e atualizados.” (Rodrigo Barreto Castagna, gerente, Premium Service)


Matéria publicada na Edição 326 – setembro/2026 da Revista Direcional Condomínios

Autor

  • Jornalista Isabel Ribeiro

    Jornalista apaixonada desde sempre por revistas, por gente, pelas boas histórias, e, nos últimos anos, seduzida pelo instigante universo condominial.