Restauração ou retrofit? Entenda o futuro dos condomínios e o valor da modernização estruturada

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Com o envelhecimento natural das edificações — e com novos prédios surgindo em cada esquina —, os condomínios são cada vez mais pressionados a lidar com problemas de infraestrutura, materiais que chegam ao fim da vida útil e novas exigências dos moradores. Nesse cenário, duas soluções costumam gerar dúvidas entre síndicos, conselhos e administradoras: restauração e retrofit. Ambas melhoram o condomínio, mas cada uma tem natureza, propósito e impacto bem diferentes. Entender essa diferença é fundamental para tomar decisões equilibradas, usar bem os recursos e garantir retorno em segurança, preservação, modernidade e valorização patrimonial.

A restauração tem como objetivo trazer a edificação de volta ao seu estado original. Ela corrige o que o tempo desgastou: infiltrações, corrosões, patologias estruturais, revestimentos, pisos, entre outros. Um exemplo clássico é a substituição de esquadrias de madeira que apodreceram com o passar dos anos por conta da umidade e das intempéries. Além de comprometer a estética, isso afeta a vedação, a segurança e o conforto interno. Sempre que possível, essas peças podem ser recuperadas; porém, quando já não há condições técnicas, a substituição por algo mais seguro é necessária para manter a integridade da fachada. Restauração é, acima de tudo, preservar o que existe e garantir que o prédio continue seguro e funcional.

Já o retrofit não se limita a corrigir: ele transforma. É a modernização do prédio, trazendo para hoje aquilo que foi construído décadas atrás. Nesse tipo de intervenção, é possível alterar a estética, repaginar áreas internas, atualizar instalações e até criar novos espaços de convivência. Trocar esquadrias antigas por sistemas modernos — com vidro duplo, melhor isolamento acústico e maior eficiência térmica — deixa de ser apenas um reparo e passa a ser uma verdadeira evolução do imóvel, trazendo eficiência, economia e valorização. O retrofit reimagina o prédio para atender às necessidades atuais de uso, conforto e praticidade.

Na prática, muitos condomínios acabam adotando uma solução híbrida: primeiro restauram o que está comprometido e, na mesma oportunidade, aproveitam para modernizar e atualizar o que pode ser melhorado. Esse caminho potencializa os resultados e aumenta o retorno sobre o investimento, evitando que o prédio fique preso no passado.

Além dos aspectos técnicos, é essencial entender também o quórum de aprovação necessário para cada tipo de obra. As obras necessárias são aquelas que garantem a conservação, a segurança e a estabilidade do edifício, como reparos estruturais, impermeabilizações ou a troca de esquadrias deterioradas que ofereçam risco. Obras necessárias e urgentes podem ser feitas pelo síndico imediatamente, com prestação de contas depois; já as não urgentes precisam de aprovação pela maioria simples dos presentes na assembleia. As obras úteis são aquelas que melhoram o uso e a funcionalidade do prédio, como modernizar instalações ou ajustar a acessibilidade. Para esse tipo de intervenção, a lei exige maioria absoluta de todos os condôminos — cinquenta por cento mais um do total. Já as obras voluptuárias, voltadas para estética, lazer ou aumento de conforto, como criar novas áreas ou promover reformas decorativas, precisam do quórum qualificado de dois terços dos condôminos.

Saber classificar corretamente cada intervenção é o que garante segurança jurídica, evita contestações e assegura que o condomínio siga as normas e a vontade dos moradores. No fim das contas, a restauração preserva e protege; o retrofit moderniza e valoriza. Quando combinados com inteligência, esses dois caminhos ajudam os condomínios a se manterem seguros, funcionais, competitivos e agradáveis por muitos anos.

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