Saúde mental do síndico: por que é tão importante cuidar de si

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Muitas pessoas acreditam que a vida de quem atua na sindicatura é tranquila, principalmente quem não conhece de verdade como funciona a nossa profissão.

Mas o que ninguém sabe é que, por trás de cada síndico, existe uma pessoa que carrega um mundo de preocupações e problemas dentro de si.

Não é por acaso que vemos tantos síndicos enfrentando burnout, ansiedade e depressão. Inclusive, dentro da nossa área, já tivemos perdas por conta dessas doenças. E é muito triste ter que lidar com uma realidade como essa.

Nós trabalhamos para manter nossos moradores em segurança, proteger as pessoas, cuidar da saúde financeira do condomínio e manter o patrimônio de todos em ordem.

Lidamos com manutenção, funcionários, fornecedores, administradoras, obras, emergências e, muitas vezes, com a mediação de conflitos dentro dos condomínios. São situações que exigem atenção e responsabilidade o tempo todo.

E tudo isso acaba acarretando diversos problemas também para a nossa vida pessoal.

Na minha vida, uma das coisas que encontrei para tentar equilibrar essa rotina foi a atividade física. A academia passou a fazer parte dos meus hábitos.

Sempre que possível, também posto nas redes sociais minhas idas à academia, meus passeios e minhas saídas fora do serviço.

Faço isso porque, na minha cabeça, estou incentivando aqueles que me acompanham a fazerem o mesmo.

A academia, os passeios, as saídas com os amigos e a nossa vida social ajudam a mente a se desligar um pouco. São momentos em que conseguimos deixar de lado, ainda que por algumas horas, os problemas que vivenciamos diariamente.

E nós precisamos desses momentos.

Como todos sabem, o síndico não tem férias, feriado ou fim de semana. O WhatsApp não para. As emergências de condomínio acontecem.

E, muitas vezes, sentimos que não podemos simplesmente dizer: “Vou deixar isso para depois.”

Porque nós temos responsabilidades com aquilo com que nos comprometemos.

Mas é justamente por isso que precisamos aprender a nos desligar.

Nem que seja durante uma hora por dia.

Uma hora para nós. Para respirar. Para cuidar da nossa cabeça.

O exercício físico pode contribuir para o nosso bem-estar e para a nossa saúde mental, além de trazer benefícios para o nosso corpo. Ele pode ajudar no controle do estresse e na melhora do humor e também fazer parte do cuidado em situações de ansiedade e depressão.

Foi pensando nisso que resolvi escrever este artigo.

Quero que nós, síndicos, também entendamos a importância de cuidar de nós mesmos.

Porque nós cuidamos de todos. Mas também precisamos cuidar da gente.

E mais: é importante que saibamos dosar as mensagens de WhatsApp. Precisamos colocar algumas regras.

Finais de semana e feriados, por exemplo, podem ser destinados aos atendimentos emergenciais.

E precisamos fazer com que o morador entenda que isso é importante.

Essa imposição de limites não é para prejudicar ninguém. Pelo contrário. É justamente para que nós também possamos trabalhar melhor para eles.

E para que eles entendam que nem tudo pode ser resolvido na mesma hora.

Existem coisas que só conseguiremos resolver em dia útil. Um boleto, por exemplo, não será resolvido porque respondemos a uma mensagem no sábado à noite ou no domingo à noite.

Mas essa mudança precisa partir de nós.

É uma coisa que eu precisei aprender na marra. E ainda estou aprendendo…

Por isso, gostaria de deixar essa reflexão para os meus colegas que também estão nessa caminhada.

Aprendam a se desligar.

Aprendam a colocar limites.

Aprendam que vocês também precisam de um tempo para vocês.

Outra coisa que eu considero muito importante é a terapia.

Apesar de ainda existirem muitos tabus em relação a ela, a terapia é extremamente válida, independentemente da área profissional em que atuamos.

Nós acumulamos muitos problemas durante o dia. E, quando não conseguimos lidar com eles, é muito fácil acabar levando toda essa carga para dentro de casa e descontar justamente em quem amamos.

E essas pessoas não merecem isso. Elas estão ali para nos dar apoio, para nos ajudar, para seguir uma vida em conjunto, construída com amor e companheirismo.

Por isso, cuidar da nossa saúde mental também é uma forma de cuidar daqueles que estão ao nosso lado.

Deixo este artigo como um alerta aos meus colegas síndicos.

Que possamos olhar para nossas próprias vidas com o mesmo cuidado com que olhamos para nossos condomínios.

Que possamos lembrar que não somos máquinas.

Não precisamos resolver tudo na mesma hora.

Também precisamos cuidar da nossa mente, do nosso corpo, dos nossos relacionamentos e da nossa família.

Porque, no final das contas, passamos tanto tempo cuidando de todos que, às vezes, esquecemos de cuidar justamente da pessoa que torna tudo isso possível: nós mesmos.

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