Da troca de lâmpadas por LED à gestão correta do lixo, a sustentabilidade em condomínios deixou de ser tendência e se tornou uma necessidade urgente. Medidas simples e estratégicas podem reduzir custos, valorizar o patrimônio e, principalmente, diminuir os impactos ambientais.
Cada vez mais, síndicos profissionais, especialistas e gestores defendem que o condomínio é uma minicidade — e, como tal, tem papel direto na construção de um futuro mais equilibrado.
Eficiência energética: o primeiro passo para condomínios sustentáveis
Egresso do setor hoteleiro, o síndico profissional Airton Dornelas relata que uma de suas primeiras experiências na sindicatura foi em um condomínio com sete torres e 390 unidades, onde o consumo de energia era extremamente elevado.
Na época, as garagens eram iluminadas 24 horas por dia com lâmpadas fluorescentes. A solução começou com ações simples e eficientes:
- substituição das lâmpadas por LED
- instalação de sensores de presença
- programação das bombas da piscina com timers
Com isso, o custo mensal de energia caiu de cerca de R$ 53 mil para R$ 29 mil.
Além disso, o condomínio implantou poço artesiano durante a crise hídrica, ampliando a autonomia no consumo de água.
Segundo Dornelas, cada edifício exige um diagnóstico próprio. Entre as alternativas possíveis estão:
- painéis solares para aquecimento de água
- reaproveitamento de água da chuva ou do lençol freático
- lavanderias coletivas, que podem reduzir em mais de 50% o consumo de água
- sistemas inteligentes em elevadores
ESG em condomínios: sustentabilidade como gestão e legado
Para a advogada ambiental e condominial Marisa Silvestre, atualizar os condomínios em práticas sustentáveis é urgente — e mais viável do que muitos imaginam.
Ela destaca o crescimento da aplicação dos princípios de ESG (Ambiental, Social e Governança) e dos ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável) nos empreendimentos residenciais.
Segundo Marisa, sustentabilidade não é marketing verde, mas sim gestão estratégica:
“Os síndicos têm todas as ferramentas para tornar os condomínios mais sustentáveis, energeticamente diversificados e para promover educação ambiental nos moradores. Isso é legado.”
Entre as recomendações estão:
- começar pelo básico, como iluminação LED
- estudar a diversificação da matriz energética
- buscar consultorias técnicas imparciais
- avaliar ganhos financeiros, ambientais e sociais
- considerar fontes de baixa emissão de carbono, como o gás natural
Ela reforça que não existe solução pronta: o perfil dos moradores, o uso dos espaços e a estrutura do prédio definem as melhores estratégias.
Reciclagem e gestão do lixo: um dos maiores desafios urbanos
A bióloga Rosely Ruibal, especialista em Ciências Ambientais, lembra que sustentabilidade vai além da energia. Envolve também pessoas, cidades, saúde social e educação ambiental.
Ela chama atenção para o impacto dos condomínios na gestão de resíduos sólidos:
“O lixo é hoje o maior problema ambiental urbano. Os condomínios são minicidades.”
O Brasil gera cerca de 80 milhões de toneladas de resíduos por ano e recicla apenas 4%, enquanto a média mundial é de 19%.
Rosely destaca que reciclagem não é fonte de lucro, mas de responsabilidade coletiva, já que envolve logística, custo operacional e engajamento dos moradores.
Além da coleta seletiva, ela sugere ações como:
- paisagismo sustentável com espécies nativas
- uso de produtos de limpeza ecológicos
- projetos voltados a idosos e bem-estar
- alternativas sustentáveis para aquecimento de piscinas
Boas práticas para implantar coleta seletiva em condomínios
Segundo Rosely Ruibal, um programa eficiente de reciclagem deve seguir alguns princípios:
- Definir antes para onde o material será destinado
- Conhecer quem é beneficiado pela cooperativa
- Investir em educação ambiental e comunicação clara
- Incentivar moradores a levarem seus resíduos até as lixeiras
- Mostrar que reciclagem é sobre pessoas, cuidado e futuro
- Divulgar resultados para engajar a comunidade
Sustentabilidade é valorização patrimonial e responsabilidade social
Implantar práticas sustentáveis em condomínios significa reduzir custos, melhorar a qualidade de vida, fortalecer o senso de comunidade e contribuir para um planeta mais equilibrado.
Mais do que economia, sustentabilidade é gestão moderna, responsabilidade coletiva e compromisso com as próximas gerações.
Matéria publicada na edição 310 abril 2025 da Revista Direcional Condomínios
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