O que a Bela Vista e Higienópolis têm em comum? Dentre outros fatores, são bairros paulistanos tradicionais, muito próximos do centro expandido, que passaram por intensa verticalização, sobretudo ao longo do século XX. Claro que, contrastando com edificações mais antigas, ambos trazem também seus prédios novos. Mas, nos condomínios que foram construídos há várias décadas, elevadores podem demandar modernização – e nem por isso perder o charme vintage, ou, então, requerer substituição integral. O mercado de elevadores dispõe de soluções para diferentes necessidades, como veremos nesta reportagem, que traz dois prédios antigos, localizados nos bairros mencionados.
O Edifício Cinderela, projeto de João Artacho Jurado, erguido em 1956 em Higienópolis, é um ícone da arquitetura residencial de São Paulo. O condomínio possui dois blocos com a mesma constituição: 12 pavimentos, contando com os subsolos, e duas unidades por andar. Em cada bloco existe um elevador social e um de serviço. Há alguns anos, os elevadores de serviço, muito desgastados pelo transporte de cargas pesadas de reformas e mudanças, requeriam modernização. “Esses elevadores davam um tranco muito forte na parada, devido ao sistema de acionamento original do motor, comandado por bobinas eletromagnéticas. Os nossos idosos ficavam bastante incomodados”, relata a síndica profissional Maria das Graças Mello, que o administra há 14 anos. E havia recorrência no desnivelamento entre cabina e piso dos halls.
Os equipamentos foram modernizados em duas etapas: uma para substituir o quadro de comando, sistema que controla as principais funções do elevador, como movimento, paradas, abertura e fechamento das portas e integração com os dispositivos de segurança. A outra etapa consistiu em recuperação estética. Mas o condomínio fez questão de manter o visual de época. A fórmica das cabinas foi substituída por outra, fiel ao estilo do revestimento. E as botoeiras, originais de fábrica, foram mantidas. Segundo Graça, a empresa de elevadores presente no condomínio desde 2011 atendeu à expectativa de modernização técnica e preservação estética. “Os elevadores do Cinderela estavam mais para gata borralheira. Voltaram a fazer jus ao nome do condomínio”, brinca.
Sobre os elevadores sociais, revestidos em madeira e com botoeiras douradas, ainda não há previsão de reformas. “Eles não sofreram tanto desgaste de uso. E para eventuais problemas técnicos, o condomínio agora dispõe de peças sobressalentes, dos antigos elevadores de serviço”, diz a síndica, que administra outros prédios antigos do bairro. Ela conta que uma estratégia para aprovar modernizações é mostrar a imagem do antiquíssimo quadro de comando do elevador e a do quadro que se pretende instalar, e, então, explicar o impacto positivo da mudança nos equipamentos. “Quadro de comando é algo técnico, que não faz parte do cotidiano dos moradores; eles nunca foram a uma casa de máquinas. E as pessoas são muito visuais, é preferível mostrar para que compreendam melhor a necessidade de modernizar e aprovem a obra”.
Novo sistema
Na Bela Vista, moradores de um residencial com 28 apartamentos amplos, erguido 60 anos atrás, estavam descontentes com os constantes problemas apresentados pelos elevadores social e de serviço. Além de falhas frequentes e gastos elevados com reparos, os equipamentos, volta e meia, ficavam dias sem funcionar à espera de peças de reposição, muitas descontinuadas, tendo de ser confeccionadas sob medida. Era consenso no condomínio de que a solução adequada seria a substituição integral de ao menos um dos elevadores. Foi esse o cenário que o síndico profissional César Augusto encontrou ao assumir a gestão, há cinco anos. “A primeira demanda que me trouxeram foi a troca de elevador”, lembra.
César detalha que o condomínio dispunha de um caixa considerável para fazer a substituição, e uma arrecadação posterior completou o valor, lembrando que, além do investimento em equipamento, a mudança implicaria um custo adicional: uma obra civil de reenquadramento nas portas de pavimento para acomodar o novo modelo. “Quando iniciamos as tratativas com as empresas do segmento de elevadores, conseguimos uma condição muito boa que nos permitiu trocar não apenas um, mas os dois elevadores”, narra o síndico.
Em novembro de 2025, o elevador social foi desligado para o desmonte, mas, um mês antes, componentes já começaram a ser entregues. A inauguração de um elevador novinho em folha está prevista para o final deste mês. “Depois que ele estiver liberado para uso, vamos fazer uma pausa nas obras, deixando para desligar o elevador de serviço depois que passarem as festas de final de ano. Assim teremos alguns meses para testar a operacionalidade do novo equipamento”, diz César.
O síndico pontua que a condução do trabalho tem envolvido organização e planejamento em etapas distintas. Frisa que contar com uma empresa de elevadores qualificada, além de consultoria técnica especializada, traz segurança para a gestão. Enaltece ainda o serviço da empresa de obras civis para elevadores, que, fora o reenquadramento de portas, fez uma alteração que trará benefícios aos moradores: “Originalmente, o elevador social descia somente até o térreo. Desativamos um minidepósito e realocamos uma vaga de garagem para que possa chegar até o subsolo”, explica César, que se cercou de laudos na empreitada.
Até o momento, o combinado com os moradores é que não haja mudanças ou reformas nas unidades para não sobrecarregar ainda mais o velho elevador em uso. “Outro dia chegou um novo proprietário, que não foi informado pelo anterior de que não poderia reformar o apartamento nessa fase. Como alternativa para ajudá-lo, sugerimos o içamento dos materiais da reforma”, comenta César, completando que, para evitar que o elevador antigo dê problemas, só podem embarcar três pessoas por vez. “A dinâmica do condomínio fica um pouco alterada, mas, no final, compensa, pois teremos elevadores modernos, conforto e redução no consumo de energia”, conclui o gestor.

Agradecimento aos entrevistados
Maria das Graças Mello e César Augusto

“Na contratação da manutenção de elevadores, o menor preço nem sempre representa economia. É importante verificar se a empresa investe em profissionais capacitados, estrutura adequada e procedimentos que garantam a qualidade e a segurança dos serviços.” (Rogerio Meneguello, diretor, Primac Elevadores)

“Manutenção preventiva não é gasto extra no orçamento do condomínio. É um investimento que ajuda a evitar o custo que ninguém planejou, especialmente quando um problema surge na pior hora possível.” (Vinicius Manesco Domingos, gerente administrativo, PFX Elevadores)

“A modernização de um elevador valoriza o imóvel, melhora a confiabilidade do equipamento e reduz os custos com a manutenção corretiva.” (Eduardo Luiz Norberto, supervisor, PFX Elevadores)
Matéria publicada na Edição 326 – setembro/2026 da Revista Direcional Condomínios
Não reproduza o conteúdo sem autorização do Grupo Direcional. Este site está protegido pela Lei de Direitos Autorais. (Lei 9610 de 19/02/1998), sua reprodução total ou parcial é proibida nos termos da Lei.