Em tempos de polarização, as sacadas dos condomínios brasileiros viraram tribunas improvisadas.
Bandeiras do Brasil, de times de futebol ou de partidos geram orgulho para uns e irritação para outros.
Em que momento perdemos a noção de urbanidade e convivência? Precisamos de lei para tudo?
Reclamamos da interferência estatal, e isso ocorre porque a própria sociedade — e, especialmente, os condomínios, nossas microssociedades — não consegue se autorregular!
Imagine ser necessária uma lei obrigando alguém a acionar a polícia ao presenciar uma mulher vítima de violência, ou determinando que crianças menores de 12 anos não utilizem sozinhas o elevador.
Soa absurdo, não é?
O mesmo vale para torcer pelo nosso país na Copa. Por que não conseguimos vibrar juntos, sem brigas ou sem meter política no meio?
O direito de um não termina onde começa o do outro — essa máxima é balela jurídica. Em condomínio, os direitos coexistem.
A fachada é patrimônio comum, mas a sacada é extensão da intimidade. A questão não é proibir bandeiras, mas exercer a liberdade com respeito à coletividade.
Aqui surge a grande janela de oportunidade.
A Portaria nº 1.419/2024, que atualiza a NR-01, reforça a necessidade de gestão de riscos psicossociais. Não se trata só de multas ou cartões vermelhos. Trata-se de prevenção humanizada: assembleias bem-informadas, diálogo qualificado e liderança consciente.
Os verdadeiros líderes dos condomínios são os próprios condôminos, que decidem por votação. Mas nem sempre têm a informação mais qualificada para deliberar. Por isso, palestras, capacitação e a metodologia dos 3 Erres (Relembrar, Repetir, Ritualizar) são fundamentais para internalizar a boa convivência.
Que tremulem, em paz, por toda a Copa, as bandeiras!
Que venha o hexa! Mas que seja com fair play, sem impedimentos desnecessários e sem transformar o condomínio em campo de batalha. A pacificação começa em casa, na assembleia e no elevador. Com empatia e regras claras, construídas coletivamente, é possível uma sociedade melhor — um condomínio de cada vez.
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