Segurança condominial: tecnologia e gestão em camadas contra invasões

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Equipamentos cada vez mais sofisticados ampliam a capacidade dos condomínios de prevenir e identificar situações de risco. Câmeras com análise de imagens, sistemas de controle de acesso integrados e outras tecnologias constituem importante investimento em segurança. Para que cumpram efetivamente esse papel, porém, esses recursos precisam estar integrados a protocolos e procedimentos consistentes contra furto e roubo. A valorização das equipes contribui para reduzir a alta rotatividade, mantendo no posto quem conhece a rotina da edificação, o que ajuda a evitar falhas na operação. E a conscientização do morador de que a proteção do condomínio é responsabilidade de todos fortalece esse conjunto de medidas voltadas à segurança.   

Síndico profissional há mais de 15 anos na capital paulista, Luciano Gandra estrutura a segurança condominial a partir de dois pilares complementares: tecnologia e gestão de pessoas. “Existe o viés de eletrônica e dos equipamentos, assim como o viés de processos e da mão de obra. Gosto de trabalhar essas duas frentes de maneira integrada”, afirma. Na frente tecnológica, ele destaca a importância das soluções utilizadas no controle de acesso de pedestres, especialmente os sistemas de intertravamento dos portões e reconhecimento facial. Observa que cada etapa adicional de identificação funciona como uma nova barreira de proteção, e indica: “Sempre que possível, é recomendável instalar leitores faciais no acesso às torres e aos elevadores. Dessa forma, criamos sucessivas camadas de segurança”.   

Nas garagens, o síndico considera eficiente a combinação da tag veicular (dispositivo eletrônico instalado no para-brisa, que permite a abertura automática do portão por aproximação) com a biometria facial. “Quando a tag libera o primeiro portão e o reconhecimento facial autoriza a abertura do segundo, temos uma dupla checagem. Isso torna o controle de acesso muito mais seguro”. Ele acrescenta que empreendimentos mais modernos já começam a substituir as tags por sistemas de leitura automática de placas. Nesse modelo, câmeras de alta definição integradas a softwares com inteligência artificial identificam o veículo em poucos segundos e, uma vez confirmada a autorização, liberam a passagem pelo primeiro portão.   

Soluções antes restritas aos edifícios de alto padrão tornaram-se acessíveis a condomínios de diferentes portes. “A tecnologia está ao alcance da maioria dos condomínios. Hoje, contar com bons dispositivos de controle de acesso é indispensável — tão necessário quanto ter elevador. Os edifícios que ainda não realizam esse investimento estão anos-luz atrasados”, destaca Luciano. Quando não há disponibilidade financeira imediata para a aquisição dos equipamentos, uma alternativa pode ser o comodato, modalidade em que a empresa disponibiliza os dispositivos mediante um período mínimo de permanência. O síndico pondera que, apesar da fidelização contratual, essa opção pode ser viável dependendo da realidade financeira e do momento vivido pelo condomínio.   

Processos e pessoas   

Na segunda frente de atuação, Luciano concentra-se na organização de processos e na valorização das pessoas. Um dos maiores desafios, aponta o síndico, é a elevada rotatividade entre porteiros e vigilantes, que pode prejudicar a continuidade dos protocolos e o conhecimento da rotina do empreendimento. Para enfrentar esse problema, ele procura conscientizar os condomínios sobre a importância de oferecer melhores condições de trabalho, tanto às equipes próprias quanto às terceirizadas. Espaços adequados para refeições, café da manhã e da tarde e benefícios como cestas de alimentos podem contribuir para a retenção de profissionais. “Quando a pessoa se sente respeitada e valorizada, tende a pensar duas vezes antes de buscar outra oportunidade. Essa permanência também contribui diretamente para a segurança, porque preserva o conhecimento da rotina, dos moradores e dos procedimentos do condomínio”, avalia.   

Funcionários também necessitam do respaldo da gestão para fazer valer as normas estabelecidas. Afinal, quanto mais elevado o padrão de segurança, maior pode ser o conflito com a conveniência individual. Um exemplo recorrente é o do morador que, embora conheça o protocolo, resiste a abrir o porta-malas para inspeção na entrada da garagem. “O funcionário deve agir sempre com educação e equilíbrio. No entanto, para desempenhar corretamente sua função, precisa saber que existe uma retaguarda e que o síndico adotará as medidas cabíveis diante do descumprimento das regras”, afirma Luciano Gandra. Esse apoio é essencial para que os protocolos sejam efetivamente seguidos por todos, sem exceções ou privilégios.   

Operação da portaria   

As câmeras inteligentes instaladas no interior das guaritas são outra ferramenta que vem ganhando espaço nos condomínios. Esses equipamentos conseguem identificar períodos prolongados de inatividade, distrações, portas que permanecem abertas e situações que indiquem um possível mal súbito do profissional. Embora o monitoramento possa gerar questionamentos sobre privacidade, Luciano considera seu uso legítimo quando realizado com transparência, finalidade específica e respeito às normas aplicáveis, uma vez que a guarita constitui um ambiente de trabalho e ocupa uma posição estratégica na proteção do edifício. “Sou favorável a esses equipamentos porque a guarita é o coração da segurança do condomínio. Deve existir uma estrutura capaz de monitorar uma tentativa de invasão, identificar se o porteiro adormeceu ou perceber rapidamente se ele sofreu algum problema de saúde”, observa.   

O síndico comenta que os condomínios têm investido cada vez mais nesses recursos porque eles permitem acompanhar com precisão a operação da portaria. Com o apoio da inteligência artificial, é possível até mesmo verificar se a porta de uma guarita blindada ficou aberta, por quanto tempo e quantas vezes isso ocorreu. O monitoramento com IA, contudo, não deve ser encarado apenas como instrumento de fiscalização ou punição, pois, se permite identificar falhas, também evidencia quem atua com atenção, disciplina e eficiência. “Com informações objetivas, o condomínio consegue reconhecer os profissionais que apresentam um bom desempenho. Assim, torna-se possível unir eficiência, valorização e remuneração adequada”, conclui Luciano.   

Contra invasões   

José Elias de Godoy, oficial veterano da PM e especialista em segurança condominial, reforça a importância de os condomínios investirem em tecnologias para controle de acesso, videomonitoramento inteligente, entre outros recursos, além de fortalecerem protocolos e treinamentos para coibir ações criminosas. Ele cita que, no primeiro bimestre deste ano, foram registrados 769 roubos e furtos a condomínios e residências no estado de São Paulo, conforme dados da Secretaria da Segurança Pública (SSP-SP) – o que corresponde a aproximadamente 13 ocorrências por dia nesse período.   

As modalidades em alta para ludibriar porteiros são os golpes do falso visitante, falso prestador de serviço, falso policial ou autoridade, além do acesso à garagem com veículo semelhante ao de algum morador, às vezes até com placas clonadas. Para proteger o condomínio, José Elias orienta o síndico a estruturar os procedimentos de segurança em oito pontos cruciais:   

  1. controle rigoroso de visitantes;  
  2. controle de prestadores e funcionários;  
  3. procedimento para entregadores;  
  4. protocolo contra ‘carona’ no acesso;  
  5. procedimento de emergência; 
  6. comunicação e código de emergência; 
  7. gestão das informações; 
  8. treinamento e simulações. 

Por fim, José Elias indica envolver os moradores por meio de uma ação de conscientização, o que não visa substituir as atribuições da administração, dos funcionários e dos responsáveis pelos sistemas de segurança. “Seria interessante a criação de um programa, algo como Condomínio Seguro — Segurança é responsabilidade de todos, dentro do qual se poderia trabalhar temas como conscientização e observação, criar um canal de comunicação sobre segurança e promover a participação dos moradores em simulações”, sugere o especialista.          


Luciano Gandra e José Elias de Godoy


Rodrigo Barreto Castagna

“Condomínios precisam investir em segurança. Sistemas eletrônicos inteligentes e equipamentos atualizados reforçam a proteção de pessoas e do patrimônio.” (Rodrigo Barreto Castagna, gerente, Premium Service)  


Albert Dourado Lima

“Soluções de segurança integradas são mais eficazes na proteção de pessoas, acessos e patrimônio quando implantadas a partir de um estudo das condições e da infraestrutura locais, e o condomínio segue as orientações de manutenção e conservação dos equipamentos.” (Albert Dourado Lima, diretor comercial, Pinots Segurança Eletrônica)  


Gledstom Pereira de Oliveira

“Sinalização eletrônica é prevenção em tempo real: orienta o condomínio antes de o erro virar acidente. O que protege pessoas e veículos no instante certo não é improviso. É segurança.” (Gledstom Pereira de Oliveira, diretor, GP Control Sinalizações)  


“Soluções de segurança ajudam condomínios a controlar acessos, monitorar áreas comuns e proteger moradores e o patrimônio.” (Claudio Santos, diretor comercial, Casa Solar) 


“Por meio de um serviço de garantidora, o condomínio ganha previsibilidade financeira e estabilidade no caixa, adquirindo maior segurança para avançar nas manutenções e na implantação de projetos que trazem valorização patrimonial.” (Suelen Rodrigues, sócia-diretora, Idealle Garantidora)


Matéria publicada na Edição 327 – outubro/2026 da Revista Direcional Condomínios

Autor

  • Jornalista Isabel Ribeiro

    Jornalista apaixonada desde sempre por revistas, por gente, pelas boas histórias, e, nos últimos anos, seduzida pelo instigante universo condominial.