Tecnologia redefine a segurança nos condomínios com IA e reconhecimento facial

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A rápida evolução da segurança eletrônica coloca à disposição dos condomínios soluções mais inteligentes, capazes de reforçar o controle de acesso e a prevenção de ocorrências   

Wilian Aguiar é síndico de dois condomínios: um no Sacomã, com 374 unidades, com pouco mais de quatro anos, e outro recém-entregue no Ipiranga, com 112 unidades. Os dois têm realidades distintas quanto aos equipamentos de segurança existentes. O primeiro já conta com um sistema completo, com 215 câmeras instaladas; o segundo, por ser muito novo, ainda terá, em breve, seu projeto de segurança votado em assembleia, a um custo de aproximadamente 120 mil reais.   

Mesmo com realidades distintas, Wilian decidiu instalar em ambos os condomínios um sistema inteligente de reconhecimento facial de última geração. Conectado aos bancos de dados Muralha Paulista, do governo do Estado, ao Smart Sampa, da Prefeitura de São Paulo, e a um banco de dados da própria empresa que desenvolveu o produto, o equipamento permite identificar pessoas procuradas. Segundo o fabricante, o sistema consegue identificar rostos em movimento, mesmo fora do ângulo convencional, operando em total conformidade com a LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados). Ao detectar qualquer anomalia, alertas são enviados à empresa de segurança e à Polícia.   

O síndico explica que, desde sua instalação, o equipamento já realizou 12 identificações de pessoas procuradas. Wilian completa que não cabe ao porteiro fazer qualquer intervenção, como proibir o acesso do visitante: “O sistema respeita a integridade dos nossos colaboradores, que não têm força de polícia. O que fazemos é identificar o visitante e registrar para qual unidade ele foi. E munidos das informações aguardamos contato seja da empresa de segurança ou das Polícias Civil, Militar ou da Guarda Civil Metropolitana, para prestarmos as informações solicitadas.”   

Wilian acredita que, diferente de portões ou cercas elétricas, esse tipo de sistema funciona como uma camada invisível de proteção. E ele já nota resultados, como entregadores que evitam o condomínio ou outros que se negam a tirar o capacete: “Isso porque eles sabem que serão identificados.”   

Em breve ele planeja complementar o sistema instalando na entrada social um poste dotado de Inteligência Artificial embarcada, que lê placas de carros e outras movimentações suspeitas no entorno da portaria. “Acredito muito em unir a tecnologia e a Inteligência Artificial em prol da segurança. Hoje é possível adquirir equipamentos com muita facilidade e a baixo custo, como câmeras. O que muda para cada empreendimento e cada necessidade é o software, uma solução sob medida, como a costura de um alfaiate feita para você”, pontua o síndico.   

Sérgio Meira, diretor de condomínios do Secovi-SP, onde também dirige o SindExpert, programa para síndicos, concorda que o custo dos equipamentos caiu muito nos últimos anos. Mas especialmente o valor da instalação de um sistema de segurança costuma pesar no bolso dos condomínios. Assim, muitas vezes o síndico fica sem caixa para atualizar a segurança eletrônica na mesma velocidade que o mercado dispõe de novidades. Ele menciona, por exemplo, a popularização dos controladores de acesso facial, instalados até mesmo em áreas de uso restrito, como salas de ginástica, espaços de coworking ou lavanderias coletivas. “Facilita muito o uso desses locais no dia a dia condominial”, diz Meira, lembrando que há até pouco tempo o reconhecimento facial chegava a custar cerca de sete vezes mais do que a biometria. “Hoje o facial está mais barato que a biometria, que ninguém mais quer. O preço despencou.”   

Já na portaria, um sistema que ajuda na liberação dos visitantes é o controle de acesso por QR Code (lido em catracas ou portões com leitores dedicados). É útil para criar acessos temporários, como para convidados de uma festa, agilizando a entrada. Sérgio Meira lembra ainda a evolução da qualidade das imagens das câmeras e a facilidade para instalá-las até em locais de difícil acesso, a melhoria dos alarmes, permitindo identificar em que local exato houve uma tentativa de invasão, por exemplo, e a possibilidade de uma central de monitoramento, quando acionada, enxergar a câmera dentro da guarita ao vivo e a cores.   

Para Leandro Santos, consultor de segurança em condomínios, tecnologia e Inteligência Artificial são importantes, mas não se pode esquecer do ser humano que está por trás dos equipamentos. Ele cita o exemplo de condomínios onde, pela própria arquitetura do empreendimento, motos sobem a calçada para deixar encomendas. Se a IA for treinada para entender isso como um movimento suspeito, o porteiro deverá identificar que não é. “O entregador pegar do bolso a máquina de cartão para o cliente pode ser interpretada pela IA como uma arma de fogo? Novamente temos um exemplo de como é difícil treinar a IA para uma ação assertiva. Por isso o comportamento do colaborador é essencial para validar ou não determinada situação que gerou um alarme”, sustenta Leandro, que ressalta a importância do treinamento da equipe do condomínio com base no que ele denomina de tripé SHP – Sistema Homem Procedimento. “Dessa correlação depende o melhor resultado da segurança. Mesmo com toda a tecnologia disponível, existem homens por trás das operações”, diz.   

Leandro pondera que os equipamentos tecnológicos são importantes para tornar impessoal, principalmente, o processo de acesso aos condomínios – por exemplo, com o uso de catracas, portões com intertravamento e módulos faciais. “Quanto mais impessoal o processo, melhor. Ninguém discute com um equipamento. O porteiro não pode interferir, ele sustenta ao visitante ou morador que é o procedimento do prédio”, explica.   

Sérgio Meira, do Secovi-SP, complementa que a reciclagem de colaboradores e a orientação a condôminos sobre os procedimentos de segurança devem ser frequentes. “Uma máxima que costumo sempre usar nas minhas aulas é: na dúvida, diga não. O porteiro está em dúvida se aquela senhora é mesmo moradora? Não abra o portão. Vemos as quadrilhas de jovens que se passam por parentes de moradores insistindo várias vezes para entrar no condomínio. Quando percebem que o porteiro é bem orientado, eles desistem e procuram outro prédio”, finaliza.     

Agradecimento aos entrevistados
Wilian Aguiar, Sérgio Meira (centro) e Leandro Santos


Matéria publicada na Edição 325 – agosto/2026 da Revista Direcional Condomínios

Autor

  • Jornalista Luiza Oliva

    Jornalista com larga experiência em reportagens e edição de revistas segmentadas. Editora do site e Instagram O melhor lugar do mundo, voltado à decoração, arquitetura e design. Editora da Panamby Magazine, publicação dirigida aos moradores do bairro do Panamby, região do Morumbi, em São Paulo. Desde 2005 também atua na área da educação, com publicações especializadas e cursos para formação de professores. Mais informações: luizaoliva@gmail.com